quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Introdução ao contexto e personagens do Novo Testamento

*Aula ensinada pelo pr.Nivton no dia 18/01

O povo judeu

A religião judaica contemporânea a Jesus havia se tornado uma religião sectária, principalmente devido aos acontecimentos do exílio. Todas as seitas judaicas tinham respostas distintas para suas principais perguntas:

· Quem era um verdadeiro judeu?
· O que é que Deus exige do seu povo?
· Qual o destino de Israel?


Essas questões foram levantadas pelo paradoxo da realidade dos judeus no exílio: antes desse, judeu era qualquer nascido da descendência dos patriarcas; Deus queria que o povo cumprisse a Lei e sacrificasse a Ele no Templo; e o destino do povo era uma vida próspera na terra a qual Javé prometera à Abraão e sua descendência e à Israel e sua descendência. Porém, estando o povo sem o Templo, sem terra e disperso, como responder à essas perguntas?

Os efeitos do exílio sobre Israel não foram poucos. Os judeus da diáspora (nome dados aos judeus dispersos)foram tentados a comer alimentos impuros (Dn 1.5-8), quebrar leis cerimoniais e adorar ídolos (Dn 3.4-7). Enquanto alguns judeus exilados adotavam as práticas pagãs, outros queriam conservar a fé dos seus antepassados. Essas opções ajudaram a faccionar os judeus após o exílio. Enquanto alguns achavam que no retorno à Jerusalém Israel deveria afrouxar algumas exigências da Lei, outros como Esdras (Ed 9-10) queriam que eles voltassem à fé pura, renunciando as práticas pagãs.

Devido ao envolvimento com as crenças de outras nações, os judeus começaram a reinterpretar os ensinos tradicionais à luz dessas crenças, envolvendo-se pouco a pouco e cada vez mais com o ocultismo e a astrologia. Essa mentalidade e essa fé mesclada do judaísmo com o paganismo pode ser vista nos escritos deuterocanônicos, como no livro de Tobias. Nele, o autor promove a astrologia e o zoroastrismo, oriundos da Pérsia. Sua história atesta a vitória de Javé contra os demônios pagãos, mas reconhece o poder desses demônios. Também trata Deus como uma força por trás dos eventos da vida, ao invés de um Deus pessoal presente no cotidiano do povo.

Caso a fé judaica continuasse caminhando nesse rumo, logo a Tora seria esquecida, e o povo seria incapaz de permanecer sem ela. Numa reação à tanto paganismo, as sinagogas ganharam força e passaram a ser uma instituição religiosa formal. Foi criado o cargo de rabi, mestres versados na Torá que se encarregavam de ensinar à comunidade da sinagoga com o intuito de preservar a fé judaica tradicional.

Cada rabi congregava em torno de si um número de pessoas e podia expor à eles seu próprio modo de ver a Torá. Caso o rabi ou a comunidade rabínica não concordassem com as decisões do sinédrio ou com as práticas no Templo, isso podia ser discutido na sinagoga. Em cada escola rabínica havia tanto fariseus como saduceus e essênios, as principais facções do judaísmo neste tempo. Além de pessoas com as mais diversas idéias sobre as questões religiosas e políticas, mesmo se enquadrando em alguma dessas facções.

As características principais de cada seita judaica neste período são:

Fariseus – especialistas da Lei:
· Mestres da interpretação das tradições orais dos rabis;
· Classe formada por artífices e mercadores da classe média (ex. de Paulo);
· Muitas vezes e em muitas situações mais ouvidos pelos camponeses do que as próprias autoridades do palácio ou do Templo;
· Devido à aprovação popular, muitos ocupavam cargos no governo;
· Ensinavam que os mortos seriam ressuscitados, os justos recompensados e os ímpios castigados eternamente.

Saduceus – Guardiães da Torá:
· Seita que não respeitava a tradição rabínica, aceitando somente a Lei mosaica;
· Não se davam com os fariseus, e eram contra Jesus por concordar com eles (Mt 22.23-32);
· Negavam a ressurreição do corpo e a existência de anjos;
· Ressaltavam o culto sacrificial no Templo e consideravam que Deus não tinha interesse nas atividades dos homens, por isso rejeitavam a providência divina.
· Epicuristas, ensinavam que a alma morre com o corpo e que cada indivíduo é senhor do próprio destino.

Essênios – radicais justos:
· A palavra “essênio” deriva de outra palavra hebraica que significa santo, pio.;
· Os outros judeus os tratavam por esse nome, mas eles mesmos não se viam como tal;
· Grupo com mentalidade tendente à mística, que se considerava detentor de misteriosas verdades acerca da vinda do Messias, que muito esperavam.
· Comportavam-se com características monásticas, evitando o casamento e sendo ascetas, acreditavam nos bens comunitários, guardavam rigorosamente os sábados (mais do que os fariseus), rejeitavam a “corrompida” adoração no templo, pregavam o constante estudo do Antigo Testamento e tinham orientação fortemente escatológica.
· Possivelmente tiveram contato com João Batista e provavelmente fossem simpatizantes de Jesus.

Zelotes
· Fanáticos pela fé judaica e pela Torá;
· Rejeitavam por completo o domínio romano sobre a Palestina e não admitiam paz com os romanos idólatras;
· Negavam-se a pagar impostos e aterrorizavam os oponentes políticos e os dominadores romanos;
· Um grupo de zelotes extremistas é visto em At 21.38 como “terrorista”, eram chamados de Sicários. Estavam no controle da revolta que ocasionou a destruição de Jerusalém.

Herodianos
· Apoiavam Herodes e sua dinastia, eram fortes oponentes de Jesus;
· Aceitavam o processo de helenização e o domínio estrangeiro;
· Provavelmente eram ricos e tinham grande influência política.

Um comentário:

  1. Pergunta:
    No comentário sobre os saduceus, acima, sugere-se que Jesus concordava com os fariseus acerca da ressurreição. Está certo isso? Jesus concordava com os fariseus? Seus ensinamentos, especificamente em relação à ressurreição, assemelhava-se às idéias farisaicas ou eram idênticos?

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